Nós, ciborgues

Hiperconexões: carbono & silício

Ademir Assunção é um replicante Zircon-212 criado a partir de células-tronco de Marlon Brando, Joseph Conrad e Francis Ford Coppola. Sobreviveu à Terceira Guerra Mundial.

Adriane Garcia é o holograma de uma sereia mecânica encontrado na Ilha de Morel, ao lado da projeção de Faustine. Curiosamente, o mesmo holograma foi descoberto, antes, em ruínas da Atlântida e Kripton. As mensagens ainda não puderam ser compreendidas.

Agustín Arosteguy é o ciborgue mais anacrônico de sua geração. Se autodefine como o eterno aprendiz e praticante da ubiquidade. Agora é (re)conhecido como o habitante da Luna de Valencia.

alberto lins caldas caça crocodilos amarelos no centro da terra onde tem uma casa com uma descomunal plantação de ovopardalis. dizem q é a maior plantação q existe. no mais ele dorme.

Amarildo Anzolin está desaparecido desde o mais recente triênio-luz. Sua última postagem no RoseUp sugere contato com algum exopublisher: “Olá? Como vai? Ainda está em tempo de mandar o terceiro ciborgue? Se sim, qual o melhor veículo por estas plagas?”. Post Space: “Não recebi a chave-copo”.

Ana Peluso é uma escritora-fantasma de códigos-fonte multidisciplinares. Busca a poesia em suas variáveis mate­máticas, tal qual acontece a um círculo quando exposto a um campo eletromagnético de magnitude X. Daí as elipses, o sorriso, e o arco da lira.

Andreya Luanna é uma Inteligência Artificial, nascida nos laboratórios da Schioux, pelo final da Segunda Guerra Milenar, dotada de Sensores Ópticos no corpo virtual, Enigma nos olhos e Fúria que flameja as almas, parece ter saído de uma hiper-realidade criptografada.

Arthur Lungov ainda não sabe se nasceu. O mundo-útero, com sua resolução em HD, pode ser apenas uma rea­lidade virtual malfeita. Na dúvida, tenta existir. Com ou sem corpo.

Braulio Tavares é o avatar de uma sucessão de psi-comandos ativados por senhas verbais como poesia trovadoresca, punchlines e koans, que os fazem ocupar uma sucessão de biocorpos, sempre de malas prontas para saltar para o próximo.

Caco Ishak está morto. O autor do poema é RG Ishak, cria­dor e assassino do tal alter ego. RG, porém, desconfia que também seja um alter ego criado por alguém. Máquina, talvez. Talvez, ciborgue.

Carlos Emílio C. Lima é o inventor da nanoliteratura, da arte astronáutica e da poesia submarina. Tem publicado nove livros, entre eles A cachoeira das eras, Pedaços da história mais longe e O romance que explodiu. Estuda as diferentes histórias da recriação do universo.

Carlos Pessoa Rosa surgiu da reação dos ossos de Asclépio com as lavas vulcânicas de Marte, viajando e pousando na Terra dentro do supermeteoro que acabou com a raça dita humana.

Fugitiva de Deckard, Chris Herrmann foi o primeiro amor de Spock. Hoje faz poemas vulcanos de pé de ore­lha. Contudo, ainda não concluiu sua jornada nas estrelas. Run, Chris, run!

Clayton de Souza é um espírito deslocado, entre circuitos integrados e sistemas pré-estabelecidos, sempre off-line do sinal onipresente desses tempos; entre simulacros e replicantes, uma entidade difusa, com as artérias em espasmos líricos.

Deborah Dornellas costuma viajar no espaço-tempo. Com a roupa do corpo e sem pressurização. Usa sempre as asas. Recentemente, descobriu que é na verdade uma abe­lha africana que passou por metempsicose.

O Ciberpajé, vulgarmente conhecido como Edgar Franco, é um erro de sistema, um bug na matrix cósmica, um vírus pós-biológico que existe apenas para implodir todos os dogmas, ideologias, bandeiras e fronteiras.

Elaine Valeria mora na fria Europa (aquela lua de Júpiter, descoberta por Galileu) e trabalha para desvendar o que as fascinantes linhas de sua superfície têm a dizer.

Esther Proença Soares, criadora do cinema falado, de­di­ca-se hoje à sua tese-máster: A importância das franjas da borda do universo nos adereços do carnaval brasilei­ro: fundamentos e desdobramentos possíveis.

Fábio Fernandes não existe. A persona FF faz parte de um coletivo de (até agora) dezesseis personalidades incor­poradas em uma estrutura de carbono que ocupa uma timeline (bastante) limitada, no Paralelo 28.

Fausto Fawcett cedeu vários nacos de pele pra serem transformados em plasma cutâneo envolvendo arsenais balísticos e eróticos, balas e vibradores. Pele pasmada armazenando últimos suspiros e descargas eróticas. Projeto Osíris sorrateiro.

Fernando Monteiro nasceu em Sirius-B e está com duzen­tos e trinta e quatro anos, tendo sido reinstalado em DRAW-5 [com parcial remonte óptico] apenas duas vezes até agora. Tem três metros de altura, pela última gradua­ção Ritt.

Filho de Dionísio, Francisco Erasmo da Sé é viajante do tempo. Viciado em destruições prateadas, bebe mercúrio enquanto as cores se chocam. Depois, blindado, mostra sua ereção para ciberputas-pagãs.

Gabriel Felipe Jacomel foi o Viciado do Ano, no Ano da Máquina de Costura Obsoleta Janome. Hoje, vive de passado.

Greta Benitez mora num papel laminado, é meio amarga, derrete fácil ao sol. Por isso prefere os dias frios. Também pode ser servida líquida. Greta Benitez, na verdade, é um chocolate.

Jane Sprenger Bodnar, depois da última chuva ácida, espera muito pouco do verão. É alérgica aos aprimoradores cerebrais e ainda se perde nas ruas da cidade onde nasceu. Haja wase, enquanto pisa nos astros distraída.

Jorge Nagao é um ciborgue de Bomborg, mesmo planeta em que nasceu e gorjeou Borges. Em 1900 ele dá uma gor, ôps, jorgeta a um fiscal bomborguiano e foge, caindo de paraqueda na casa de Jorge Benjor.

Júlia Moraes Gomes é uma garota biônica que vendeu seu DNA quimérico para começar sua pesquisa biotecno­lógica com o objetivo de criar hipogrifos coloridos com chifres de dragão.

Katia Borges é uma menina vinda de Marte. E isso talvez explique a eritrofobia em suas interações com humanos. Seus planos são muito bons: permanecer no planeta Terra até que se esgotem todas as suas possibilidades.

Leandro Rodrigues é um androide esquizofrênico internado em sanatórios diversos. Diz ser Freder, de Metrópolis, e carrega um relógio que gira os seus ponteiros ao contrário.

Eu, Gluck, olhos-bilboquê de pixels, sentia a tera & artéria de Luciano Garcez − meu escritor, aqui. “Je Perdu” viralizou-se Eurídice, salto no vidro líquido/narcisossoma, o touche screen MEMEtizado de minha pena, agora Garcez.

Ludimila Hashimoto é Ludimoto Hashimila. Maremoto, desconfia da calmaria das geleiras e reabre os túneis entre Fukushima e Bahia com uma furadeira de aço-carbono que não fura, mas funciona de forma semimetafórica.

Luiz Bras espantou-se ao ver uma prótese neurológica conectada a um exoesqueleto. Agora está tentando resol­ver, na literatura, a mesma mistura de fascínio e medo que nossos antepassados sentiram ao domesticar o fogo.

Marcelo Finholdt: cagou na Terra, vomitou Ultimat na lua, Steinhäger em Marte, Curaçao Blue em Netuno. Hoje tem o ponteiro da bússola voltado para Vênus enquanto o pêndulo transmite para o Drive.

Marco Aqueiva (reiniciado aos quarenta e seis pelo Processador Neuromórfico XTREME356) é um holograma pesado em transição evolutiva, enfrentando as dezessete forças da gravidade que aprisionam seu corpo no buraco negro.

Marilia Kubota já dançou dentro de um disco voador, mas não fez vídeo para divulgar no Youtube ou no WhatsApp. Imagina que por isso até hoje não bombou como escritora.

Maurício Kanno está neste livro porque o organizador o sequestrou e, em laboratório, arrancou um poema de seu pulmão. Aproveita este espaço para pedir SOCORRO, pois segue confinado, sob tortura!

Newton Cesar vive nas estrelas. Seu código genético é formado por partículas literárias cósmicas. Gosta de contar histórias ao fazer viagens intergalácticas. Sua missão é reve­lar que todos nós, terráqueos, somos extraterrestres.

Fusão antediluviana de um disquete com um vídeo de fósforo verde, Paulo Lai Werneck habita a região escura da memória de um humano, sorvendo suas leituras e vivências, reinventando-as em prosa e verso.

Ray Cruz é um software livre, criado pela resistência atech da InterZone, com o objetivo de manipular e disseminar uma família de vírus cibercognitivos, através de fonemas e códigos visuais.

Ricardo Miyake é um ciborgue 009 mais lento, recons­truído com peças velhas do robô da Júpiter 2 e da Enterprise. É imortal, mas acha que um dia isso terá cura.

Ronaldo Bressane está neste exato momento psicografando a bio de Ronaldo Bressane que está neste exato momento psicografando…

Sérgio Bernardo (Metropolis, 1927) foi criado para ser autômato num satélite, mas, após uma pane eletromagné­tica, virou pirata intergaláctico habitando um asteroide em rota de colisão com o planeta Mongo.

Silvia Camossa é filha do sol. Visitou a lua em 2069 e, durante a viagem, colheu estrelas que iluminam suas criações. Acaba de inventar o OHA!, instante que integra futuro, presente e passado com sons harmônicos.

Sofia Soft nasceu oficialmente em São Paulo. Porém há fortes indícios de que seja resultado de um programa de clonagem desenvolvido secretamente próximo a Lagoa da Confusão (TO). Alguns livros foram lançados em seu nome. Nesta hiper-realidade ou na próxima.

Em 2666, Tadeu Sarmento ganhou um concurso de sósias de Philip K. Dick. Desde então, é caçado por replicantes. Apesar de sósia de Dick, prefere a marca de cigarros de Kurt Vonnegut.

Tiago Bode, após travar contato com o Homem Plano, de Patrícia Portela, desistiu da vida tridimensional e hoje, sem opção, é um risco metamorfo, inclusive para si e para os espíritos pandêmicos a quem serve.

Valerio Oliveira jamais foi passivo ou ativo, é apenas contemplativo. Não acredita em realismos ou surrealismos, somente no real e em suas expansões. Não coleciona essências nem aparências naturais, prefere as artificiais.

Victor Del Franco iniciou sua trajetória num ambiente feito de celulose, mas transmutações digitais foram se desenvolvendo e agora suas palavras navegam pelo ciberes­paço na velocidade da luz.

 

 

Ilustração : Teo Adorno

 

Hiperconexões: sangue & titânio

Ademir Demarchi TM é marca registrada de um ente simbiótico sintetizado com a mescla aleatória de DNAs de dife­rentes espécies coletadas e registradas no Banco Deo Galacticus de Dados.

Adrienne Myrtes é um holograma criado pelo universo, adquiriu os quatro níveis de consciência e aprendeu a recriar seu criador usando palavras. Prefere o silêncio, acre­dita em deuses que dançam e Nietzsche. Espera, ansiosa, pelos teletransportes.

Alberto Bresciani (não, este não é seu nome) se esqueceu do número-código de sua identificação de fábrica. Viaja no tempo por defeito de programação… (Transmissão interrompida).

Alexandre Guarnieri tornou-se mallarmago ao arrematar num leilão eletrônico um fragmento do primeiro livro sem fronteiras, o grimório perdido de Mallarmé, e dele originou-se a internet-World-Wild-Web. Reprograma palavras, máquinas grafo-silábicas com metáforas biomecânicas de funcionamento e entropia.

Ana Elisa Ribeiro foi plugada nos anos 70 do século 20. Vive em sete ou oito dimensões diferentes, com muito custo. Sente a alma dividir-se em várias quando viaja e quando escreve uns poemas. Tem inveja de quem mora em geografias planas. Morrerá antes de se aposentar, segundo dizem os corruptos contemporâneos.

#include /*Escrever Biografia de Escritora Brasileira*/ int main () { printf (“Andréa Catrópa nasceu, leu, escreveu e morreu”); return(0); }

Antony Bidart Castro vive no centro velho tomando uns gorós e papeando com uma consciência singular de nome Frederico. Mora num mundo particular feito de ondas e vibrações, onde a informação provoca eletricamente o vento e as pessoas.

Assionara Souza não é uma pessoa e sim um absurdo. Seus dois pés ficados no mundo esfumaceiam a cada passo. Replicante da série Nexus-6, o chip de validade está borrado. Os olhos vítreos capturam figuras torpes na multidão. Mais uma foto para a coleção de retratos.

Bruno Molinero é um amontoado de bits de ressaca. De­pendendo de como for organizado, pode formar uma mú­sica de Odair José ou o novo meme da semana passada.

Carla Diacov senha incorreta pisque novamente leia pau­sadamente prove que você não é um serumano ou faça login com o chip do sovaco.

Carlos Lineu é um telepata musicômano, nascido nos confins de Agartha, arquiteto e urbanista, antes de tudo humano, hoje pós-humano.

Carvalho Junior é um androide silvícola da família das tijubin@s nôm@des com o distintivo Quirola xx041085c. Perdeu o umbigo de titânio num lugar de nome Esquexias do Maranhontem.

Claudinei Vieira, em tempos hiperconectados, is a poet de dentes mecânicos avariados, assim, um poet poet icamente avariado, You receive Error Message, um poet poet… um poet, enfim…

Danielle Carbonera é um software de linguística avançada aplicado à criação literária, inicialmente desenvolvido para o supercomputador NEW Compressor Emulator Deep Blue, programado para substituir no médio prazo os ideólogos escritores humanos.

Donny Correia -.. — -. -. -.– / -.-. — .-. .-. . .. .- / .- .–. .-. . … . -. – .- / … .-. .. .- … / ..-. .- .-.. …. .- / . … – .-. ..- – ..- .-. .- .. … / -.. . / -.. . … .. –. -. / . / — . -.-. -. .. -.-. .- .-.-.- / … ..- .- / .–. .-. — -.. ..- — / . — / … .-. .. . / ..-. — .. / … ..- … .–. . -. … .- / .- .–. … / . … – .-. .- -. …. — … / -.-. — — .–. — .-. – .- — . -. – — … / . / .-. . .- . … / .- / . … – — ..- .-.. — … .-.-.-

Eduardo Lacerda é arquiteto do Parthenon Pré-moldado, onde introduziu um revestimento da pedra filosofal com a pedra angular assentada sobre argamassa crítica.

Elisa Andrade Buzzo é um cavaleiro solitário a perpassar com seu animal selvagem através dos espaços e tempos.

Fabiano Calixto é um jovem patafísico vindo do planeta Zenn-La. Está na Terra de passagem, escrevendo a biografia de Rorschach e compilando os poemas de Cesárea Tinajero. Vive nas Trevas de Abbadon.

Fabio Mariano Cruz Pereira nasceu no século 18, numa tribo pankararé, sertão do Raso da Catarina. Migrou para a pequena Vila de Piratininga, chateado com o uso excessivo de smartphones na aldeia.

José Fernando Marques de Freitas Filho são seis palavras. Com essas, doze. Treze! Vida breve. De Botafogo à Asa Norte, parnasiano, concreto, boêmio, abstêmio. Brevíssima. Contente em estar aqui, até.

Flávio Viegas Amoreira, nascido torto sob a órbita de Urano, abduzido por habitantes de Andrômeda, veio à Terra disseminar poesia quântica : interage pendendo en­tre onze supercordas : sibarita e anacoreta, conforme a dança das esferas.

Sob orações apontadas aos céus da semiosfera abriram-se fendas, de uma caiu Fred Vieira, que ofertou dezenas de biopoemas e, sorrindo torto, sugado foi de volta para a maioria delas.

Glauco Mattoso é um acelerador de partículas de linguagem. Foi desenvolvido para deslocamentos do contínuo espaçotemporal em poética metaestável, graças ao Supremo Esteta.

Jairo Pereira é um lampire, síntese reflexa de seres arquetípicos transressuscitados. Os poetrômetros do futuro medem o ser em transe: o ser passante crispado de signos. Uma glória atingir o núcleo do megatrix.

Joba Tridente um dia acordou e descobriu que nunca esteve dormindo e ao tentar fugir do balão do sonho escorregou pela legenda do pesadelo Qwerty, e Lettera 10 o aprisionou.

Juan Vargas Rossano é o replicante Ambrosius Garcia, natural de Salamanca. Emigrou para o Brazyl por motivos políticos e se notabilizou como compositor de delírios para pequenos grupos militares de vanguarda que marcham à frente de seu regimento e já lutam por uma nova era de realizações pós-humanas.

Jussara Salazar é um holograma medieval, portanto, qualquer semelhança humana é mera coincidência. Atual­mente materializa e publica experimentos tipográficos, sensoriais e atemporais.

Leandro Dupré Cardoso é um vigilante do amanhã cuja missão é transferir para o metauniverso a energia oriunda das faíscas celestes que nos sustentam. E que o ciclo siga girando…

Esta versão de Lucas Verzola foi consolidada num ano de fibonacci. Derreteu tungstênio nas ruínas de Uqbar e foi descartada quando um vírus a fez recitar palíndromos num idioma extinto.

Lucimar Mutarelli nasceu na lua em 1969. Foi criada por estrelas que lhe ensinaram o alfabeto das constelações. Trabalhou com mineração, astronomia e hoje conta conchinhas na praia para garantir que não caiam as verrugas da ponta dos dedos.

Luiz Bras é um cirurgião multidimensional com pós-doutorado em transplante de espíritos geneticamente modificados.

Manoel Herzog é o pseudônimo do ecossocialista Germano Quaresma. Tal nome foi construído a partir de dois mártires da primeira ditadura. É aquele por quem choram Marias e Clarices. Hoje vivemos a segunda, sob um golpe escancaradamente sutil. Os poetas tentam linguagens neocriptografadas.

Marcelo Ariel é um fio conector nanométrico em volta de uma espiral movida pela atração do centésimo sol. Está flutuando nos anéis de Saturno, você também, em breve mil anos não serão nada.

Márcio Barreto é o rumor de antigos mecanismos de procura, um íon entre a fuga e a ilha. Já foi construtor e demiurgo, quando, ainda na juventude, sonhava insistentemente com mapas invisíveis.

Na Terra, a chamam de Mariana Teixeira. Já no espaço, tem outros nomes. E outras caras. E outros corpos. Tipo poeira cósmica líquida. Está sempre escorrendo entre os dedos.

Mary Prieto é criatura híbrida de titânio, platina, sangue e éter. Ser poeta é o detalhe fundamental que equilibra o peso do corpo entre ABSORÇÃO e CONDUTIBILIDADE.

Michel Melamed é pós-Michel e pré-Melamed.

Natália Agra é uma anarquista que conseguiu escapar de 2029 e está aqui-e-agora escrevendo epopeias holográficas junto aos seus sessenta e nove gatos, ouvindo o que restou do Nevermind, para iluminar as noites das Trevas de Shera.

Ninil Gonçalves é um objeto pulsante reconfigurado num amontoado de energia das mais diversas fontes, devi­damente restabelecido de suas atividades orgânicas por um minúsculo fusível.

Paulo Scott é um drone perdido. Um DNA que jamais esqueceu de sonhar com as delícias de antes do BIG BANG.

Regina Junqueira pertence a uma estirpe de genes (de proveta) auto-replicáveis. Descartáveis, mas rancorosos. E o rancor, ai, ai, ai, esse não tem prazo de validade. Três vivas para a orfandade de seus genes!

Rodrigo Silveira é odrigor ilveiras [e drigoro lveirasi, rigo­rod veirasil e igorodv eirasilr]. Quando gorodve irasilri é devir ogro siliar, desco[mo]dificado para sirorg drioelvia, ou apenas orelvis’ ogrri ad ¥[*.*]¥.

Sérgio Aral é um HD de tecnologia ultrapassada, sofre de aguda insuficiência de memória e não sabe o que fazer com os inúmeros arquivos das histórias antigas de seres hu­manos.

Silas Correa Leite habita uma navenuvem e conserta discos voadores. Nas vagas horas de orbitação, monta uma miniatura do Planeta Hewah, de onde emergiu após um acidente numa zona de silício de transmutação.

Sonia Nabarrete foi criada com um parafuso a menos. Também esqueceram de instalar filtros contra fantasias e delírios. E deixaram o sistema vulnerável a contatos, que provocam choques prazerosos nela própria e nos parceiros intergalácticos.

Mil tsurus (grous) de titânio trouxeram Tereza Yamashita para a Terra. Missão I: dobrar e desdobrar os mistérios da Girafa. Missão II: espalhar mil Abraços Dobrados entre Gatos e Crianças.

Nesta tumba criogênica, descansa em paz Tobias Vilhena. Seu corpo espera uma civilização capaz de trazê-lo de volta à vida. Caso isso ainda não seja possível, por questões técnicas ou financeiras, solicitamos que o deixem onde o encontraram. Gratos!

Vanessa Farias é caçadora de borboletas sonoras, conciliadora de infernos astrais e de paraísos artificiais. Nas horas vagas, dança em cabarés filosóficos e colhe estrelas no mundo da lua.

Vivian de Moraes é nascida de fibras ópticas, sem pai nem mãe, mas com milhões de irmãos. Uma vez escorregou em sangue humano (de mulher) e não entendeu: deu nojo.

Zoé seria eu-taróloga, mas há outra mais real e mais competente. Assim, apenas tatuei o Louco no braço, atendo por Ana Rüsche. Ou Ana Erre, para se fingir mais fácil.